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OSWALDO MONTENEGRO

08 de fevereiro de 2020

OSWALDO MONTENEGRO

 

Em seu novo show, “Balada Para um Ex-Amor”, Oswaldo Montenegro faz uma fotografia dos desencontros do nosso tempo.

 

O show, homônimo da música que dá nome ao espetáculo e é sucesso na internet, (“Fala da sua dor, que eu conto o que passei / O tempo passou por nós como o vento quebrando o telhado que abriga a esperança”), aborda diversos tipos de separação e de sentimentos dos ex-casais, nessa época de constantes trocas de parceiros e sonhos.

 

Através de canções que compôs ao longo da carreira, o artista conduz o público por subtemas:

 

- Os afetos sólidos que o tempo fraturou, representado por “Se Puder sem Medo” (“Deixa em cima dessa mesa a foto que eu gostava, pr’eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo”).

Os términos sem dor, como em “Taxímetro” (“Eu só estranhava quando te via nua e preferia de vestido bordeaux”).

A dificuldade em admitir o fim do sentimento, como a bailarina de “Bandolins” (“Ela dançava só, na madrugada, se julgando amada ao som dos bandolins”).

A alegria de se libertar das relações sufocantes, presente em “Eu quero ser feliz agora!” (“Se alguém disser pra você não dançar e que nessa festa você vai ficar de fora... não acredite, grite sem demora: eu quero ser feliz agora”).

A paixão que se transforma em amor fraterno e sem fim, como em “Por Brilho” (“As coisas se transformam, isso não é bom nem mal”) e em “Lua e Flor” (“Eu amava como jamais poderia se soubesse como te contar”).

- O reencontro que surpreende com a ausência de qualquer resquício do antigo sentimento, como em “Quem Havia de Dizer” (“A gente se vê qualquer dia, grande abraço e, quem diria, sem sequer nos lamentar”).

- A alegria de não sentir mais a paixão, como em “Mais Leve e de Branco” (“Que maravilha não sentir mais amor... olhar a rua sem meu olho te procurar e achar a tua simpatia em qualquer lugar”).  

E assim, passeando pelos afetos em suas diversas cores e matizes, Montenegro questiona a si e ao público sobre como lidar com esse novo tempo, em que nos separamos a toda hora, e paradoxalmente sonhamos com o amor eterno.

  O show “Balada Para um Ex-Amor” conta, como é constante nos trabalhos de Montenegro, com um time de virtuoses no palco: Madalena Salles na flauta, Sergio Chiavazzoli nos violões, guitarras e bandolins, Alexandre Meu Rei no baixo e nas guitarras. Músicos que acrescentam intimidade e emoção a esse projeto, em que o menestrel conta histórias sem pretender conclusões sobre elas, preferindo, isso sim, perguntas, como em “A Lista” (“Faça uma lista de grandes amigos / Quem você mais via a dez anos atrás / Quantos você ainda vê todo dia / Quantos você já não encontra mais”).

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