ACONTECEU

ALCEU VALENÇA

Amigo da arte

27 de setembro de 2019

 

Alceu Valença em Amigo da Arte


Alceu Valença apresenta seu novo show Amigo da ARTE em Natal (sexta, 27/09, Teatro Riachuelo), Recife(sábado, 28/09, Teatro Guararapes), João Pessoa (domingo, 29, Teatro Pedra do Reino) e Belo Horizonte (domingo, 03/11, Palácio das Artes). O espetáculo reúne canções que ressaltam o diálogo entre a obra do cantor e compositor pernambucano e suas referências na literatura, na poesia, na filosofia, nas artes em geral.


Em Agalopado (do álbum Espelho Cristalino, 1977), o artista reúne três referências literárias na mesma obra. Em sintonia com os mineiros Guimarães Rosa (“viro rosa, vereda de espinhos”) e Drummond (“viro pedra no meio do caminho”) e o espanhol Cervantes (“Dom Quixote liberto de Cervantes”), a arte é amiga da dor, do amor, do desengano. Que Grilo Dá (de Mágico, 1984) aproxima o nordeste do João Grilo de Ariano Suassuna ao Macunaíma, o herói sem caráter, do paulista Mario de Andrade, amigos do “riso e desastre do meu Brasil popular”.


A Bahia de Jorge Amado ganha contornos olindenses em Chuva de Cajus (Estação da Luz, 1985). Aos versos “pastores da noite / meu são Jorge Amado / livrai-me do ódio dos apaixonados”, o amigo das letras Jorge retribuiu: “Canto de pássaro, grito de guerra, a caatinga Arida e o verde canavial, o povo nos limites da vida, eis a música de Alceu Valença, terno e profundo menestrel do nordeste” – escreveu.


A canção e a prosa se encontram como conde e passarinho na crônica de Rubem Braga e na letra de Na Primeira Manhã (Coração Bobo, 1980). Solidão (Mágico, 1984) aponta para a Macondo de Gabriel García Márquez. Como a poesia brasileira é amiga da lusofonia, Loa de Lisboa (Estação da Luz, 1985), exalta a verve de Fernando Pessoa, seguida da récita de “Tabacaria”, um dos maiores momentos do poeta português. Senhora Dona (Rubi, 1986) saúda o poeta gaúcho Mario Quintana.

Belle de Jour (Sete Desejos, 1992) aproxima a musa existencialista do cineasta espanhol Luis Buñuel do céu azul e das temperaturas sensuais da praia de Boa Viagem. Do cinema para a pintura, Girassol (Sol e Chuva, 1997), inspirada em Van Gogh, reaproxima a Holanda de Olinda. Tropicana (Cavalo-de-Pau, 1982), deriva das mangas, cajus e outras frutas tropicais que brotam dos traços do artista plástico pernambucano Sérgio de Lemos.


Seixo Miúdo (Rubi, 1986) traz a citação “O homem é o lobo do homem” do filósofo renascentista inglês Thomas Hobbes em sua obra “Leviatã”. Como o tempo é amigo do pensamento, a Embolada do Tempo (Na Embolada do Tempo, 2005) foi concebida para ecoar a máxima do antropólogo Gilberto Freyre que “o tempo é tríplice”, onde se vivencia passado, presente e futuro no mesmo tempo e espaço de uma canção. Como a canção é amiga da tarde, AnunciaçãoBelle de Jour, Estação da Luz e Papagaio do Futuro – além da novíssima Eu Vou Fazer você voar, com lançamento digital em outubro - reinventam seu próprio tempo.

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